O total de
Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) recebidos pelo Brasil no primeiro
semestre deste ano totalizou US$ 27 bilhões, no mesmo período do ano passado
esse montante chegou a US$ 32 bilhões. Para a maioria dos especialistas
consultados pelo DCI uma das questões que pode ter influenciado a queda é a
imagem externa que o País tem tido com a entrada da Venezuela no Mercosul e a
influência do governo na economia, o que dá aos investidores estrangeiros poucas
opções de previsibilidade sobre o futuro da economia brasileira.
Entre as nações que
mais investiram no País nos primeiros meses deste ano se destacam os Estados
Unidos que tiveram uma participação de 15,6% no semestre (segunda maior entrada)
ante 12,8% no mesmo período do ano passado. Segundo o professor da Escola
Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Mario Gaspar Sacchi, isso ocorre
porque muitas companhias americanas têm presença no Brasil e é um dos únicos
"paraísos" que tem uma certa estabilidade para fazer mais investimentos e enviar
dinheiro para as matrizes em época de crise. O professor das Faculdades Rio
Branco, Rogério Buccelli, acredita que "a participação [dos EUA] aumentou por
causa de investimento intraempresa, o mercado de consumo brasileiro é um mercado
forte e as empresas norte-americanas estão investindo".
Em primeiro lugar
estão os Países Baixos com 18,9% e em terceiro lugar Luxemburgo com participação
de 14,9%. O Chile é o quarto país que mais investiu no Brasil no período com
4,9% de participação e o Reino o quinto maior com 4,1%.
Segundo o professor
da Fundação Instituto de Administração (FIA), Celso Grisi, o governo federal tem
feito uma política de intervenção do Estado muito forte com determinações
impositivas o que semeou entre os investidores externos uma falha na
previsibilidade sobre o futuro do País. "Fomos hostis aos capitais estrangeiros,
eu tenho uma avaliação ruim sobre a forma com que o governo tratou isso,
podíamos ter uma entrada de investimento estrangeiro bem maior, já não
oferecemos uma situação econômica robusta como foi no passado, nossa conduta
deveria pensar um pouco mais em facilitar nosso ambiente de negócios e não ficar
mexendo em tributos de capital estrangeiro a cada momento", colocou o
especialista.
Buccelli não
concorda que o País tem sido um lugar com baixa atratividade de investimentos.
Segundo ele, no ano passado, o País teve um ingresso total de US$ 66 bilhões. "O
Brasil é o principal destino de investimentos estrangeiros diretos no
continente. O México, por exemplo, recebeu no último ano US$ 20 bilhões. O que a
gente tem que entender é que o IED não é apenas investimento em novos projetos,
ele é também investimento em carteira de ações. O que diferencia o Brasil dos
outros países é o investimento em infraestrutura e isso vai continuar a existir
principalmente em carteiras vinculadas a Petrobras, a construção e ao
transportes", explicou o professor.
Por setor o que
mais recebeu investimentos de janeiro a julho deste ano foi a indústria com
participação de 47,7% e alta ante os 38,6% registrados no mesmo período do ano
passado. Os setores de agropecuária e serviços registraram queda no período.
Na opinião de Celso
Grisi "a indústria se destacou pelas fusões e aquisições, algumas indústrias são
muito importantes como a farmacêutica que na parte dos capitais internacionais
tem uma boa avaliação".
Na opinião do
professor das Faculdades Rio Branco, "o principal fator desse aumento é por
conta de investimento na área de telecomunicações e energia elétrica,
infraestrutura é o que faz com que o IED continue em um patamar
significativo".
Sobre as
perspectivas para este ano o especialista concorda com a opinião do último
relatório Focus, publicado na segunda -feira pelo Banco Central de que a entrada
total de investimentos externos deva chegar a US$ 55 bilhões neste ano. "Eu acho
fabuloso, em um momento de crise, sair de US$ 66 bilhões para US$ 55 bilhões",
completou o professor Rogério Buccelli.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
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