quarta-feira, 26 de agosto de 2015

POLÍTICA INDUSTRIAL DEVE SE ADAPTAR À ATUAL POLÍTICA MACROECONÔMICA, AFIRMA SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MP


O secretário executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP), Dyogo Oliveira, realizou, na manhã desta terça-feira (25), uma análise de conjuntura econômica para os participantes do workshop "Elementos para uma nova Política Industrial do Brasil no período 2015-2018", organizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Dyogo Oliveira enfatizou a importância da indústria nacional para a retomada do crescimento e em da sintonia com os esforços que o país vem fazendo para superar as dificuldades econômicas.
"Temos que desenhar uma política industrial, institucional e política microeconômica que se adapte à política macroeconômica que nós temos e que nos é condicionada pelas circunstâncias que estamos enfrentando no Brasil e no mundo", disse.
Conjuntura e perspectiva
Em sua análise, o secretário executivo listou e explicou os seis grandes choques que levaram a queda de atividade da economia brasileira em 2015: uma queda nos termos de troca de cerca de 30% entre 2011 e 2015, em virtude do fim do ciclo de commodities; uma forte crise hídrica, impactando no preço da energia e trazendo incertezas para decisões econômicas; uma elevação temporária da inflação, basicamente por conta de recomposição de preços monitorados, o que levou a uma alta na taxa de juros; uma redução de investimentos de setores importantes afetados pela Operação Lava Jato; uma forte depreciação cambial; e a necessidade de recompor o resultado fiscal para estabilizar a dívida pública.
Por outro lado, Dyogo Oliveira também apontou os vetores de crescimento que estão despontando. As projeções de todas as consultorias indicam que o PIB do país cairá até o 3º trimestre de 2015, começando uma leve recuperação no trimestre seguinte.
Ele apontou que a inflação terá queda rápida e refletirá em recomposição da renda disponível das famílias já em 2016. Além disso, acrescentou, a segunda fase do Programa de Investimento em Logística trará uma retomada no nível da taxa de investimento de 19% para 20% do PIB nos próximos três ou quatro anos.
"A taxa Selic atingiu um pico de 14,25% e as previsões de mercado apontam para uma estabilização de 10%. Por fim, a depreciação cambial implicará em substituição de importações e ganho nas exportações", citou, acrescentando que a retomada do crescimento se dará com uma composição entre demanda interna e demanda agregada.
Oliveira lembrou que apesar de as exportações terem forte participação na economia (15% do PIB), o mercado interno ainda representa mais de 60% do PIB. "É difícil puxar essa economia apenas com o setor externo. Nós teremos que ter a retomada do dinamismo no mercado interno. Ele continuará forte e retomará o nível de crescimento a medida que houver essa recomposição da renda real com a queda da inflação", disse o secretário.
"Por outro lado, as restrições ao crédito que nós estamos encontrando no momento devem ser superadas num período razoavelmente curto", completou.
Política industrial
Para o secretário executivo do MP, a política industrial tem que se integrar à solução dos grandes problemas nacionais, em áreas como eficiência energética, ganhos de produtividade, inovação tecnológica e desenvolvimento regional. "Defendo que a política industrial se utilize dos próprios mecanismos de solução desses problemas e busque dali tirar os elementos para o acúmulo do setor produtivo interligado com esses problemas."
Ele também chamou atenção para os mercados que se abrem ao setor industrial a partir da depreciação cambial e incentivou a integração do segmento aos esforços que vem sendo feitos pelo governo como o Plano Nacional de Exportações (PNE) e as iniciativas para melhorar o ambiente de negócios.
"Estamos para lançar uma grande reforma tributária com PIS/Cofins, com ICMS, com outras simplificações na área tributária, iniciativas na área de redução de insegurança jurídica e melhoria de marcos regulatórios. Cabe aos atores dessa política industrial, tanto do setor público quanto do setor privado, tomar participação nisso porque é dessa melhoria que nós teremos bons efeitos em termos de capacidade industrial", concluiu.

Fonte: Ministério do Planejamento

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