segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PARAGUAI QUER MAIS POR ITAIPU E ITAMARATY DESMENTE CHANCELER



O governo do Paraguai ainda tem a obrigação de vender a energia elétrica produzida em Itaipu para o Brasil por mais 11 anos, conforme os termos do Tratado assinado pelos dois países em 1973 e cuja validade é 2023. Apesar de o novo governo daquele país afirmar que pretende enviar um projeto de não ceder mais a energia ao Brasil, a única medida que podem tomar é a mesma que a ocorrida dois anos atrás e que entrou em vigor este ano, que é o de pedir revisão dos valores pagos. Mas antes disso, o Congresso Nacional precisa aprovar, como fez há dois anos quando aumentou de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões. Apesar de o chanceler paraguaio José Félix Estigarríbia afirmar que foi apresentada uma proposta, o Ministério de Relações Exteriores (MRE) negou o recebimento de tal pedido.
Na prática, o novo governo vizinho, sócio do Brasil na Usina Binacional de Itaipu, está seguindo os passos do seu antecessor, Fernando Lugo, que ao assumir a presidência daquele país elegeu a disputa pela energia elétrica como o principal ponto de seu mandato. A questão não se limita apenas ao Brasil, mas à Argentina em outra hidrelétrica na fronteira entre os dois países. Em ambos os acordos, Frederico Franco, o atual presidente paraguaio diz que a energia está com preço abaixo do praticado no mercado.
As declarações do governo paraguaio são conflitantes. Estigarríbia afirmou na semana passada que a intenção não é a de quebrar o contrato bilateral que vence em 2023 e que estabelece que o Paraguai tem a obrigação de vender a energia gerada em Itaipu, e que não utilizar, ao Brasil. Porém, no órgão oficial da presidência paraguaia há o destaque para o discurso de Franco onde diz que "a decisão do governo é clara: Nós não vamos continuar a ceder nossa energia. E notem que eu uso a palavra "dar". Porque o que estamos fazendo é dando para o Brasil e Argentina, não estamos vendendo mesmo". Além disso, o presidente afirmou que enviaria ao congresso de lá um projeto de lei para que o próximo governo não venda mais energia para o Brasil.
Segundo o chanceler do país vizinho, a energia ao Brasil custa US$ 8,40 por MWh, e a produzida na usina de Yacyretá, para a Argentina, sai por US$ 9 MWh.
Nas contas do Brasil esse valor é quase seis vezes maior. Segundo uma fonte que pediu anonimato, o País paga, em média, US$ 49,15 o MWh, a diferença vem do fato de que o lado paraguaio não soma a parcela da dívida, dos encargos, manutenção, royalties e outros itens que são repassados àquele país na energia comprada. Para efeitos de comparação, continuou a fonte, a energia do lado brasileiro custa o equivalente a US$ 39,97 por MWh, uma parcela dessa diferença refere-se ao número de empregados da metade de lá, que tem 300 pessoas a mais que na porção brasileira. "O valor alegado representa apenas o preço da energia com a usina amortizada", disse a fonte que lembrou ainda que a usina estará paga apenas em 2023, data em que se encerra o Tratado e marca a possibilidade de o país vizinho vender a energia a outro comprador. A dívida de Itaipu é de cerca de US$ 16 bilhões.
Segundo a fonte ouvida pelo DCI dificilmente o Paraguai poderá conseguir um novo reajuste diante do fato de que o valor já foi triplicado recentemente. Além disso, há a possibilidade de que a manobra seja apenas uma forma de Franco chamar a atenção após a suspensão do país do Mercosul.
Enquanto as disputas no campo diplomático seguem, o lado operacional da usina continua a bater recordes. Na semana passada, alcançou a marca de 2 bilhões de MWh produzidos, suficiente para suprir o mundo por 40 dias.

Fonte: Diário do Comércio e Indústria

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